ESPAÇO CATÁRTICO por Eline Deccache Maia


SEPARAÇÕES

 

Nos últimos meses  tenho experimentado muitas formas de separação. A inexorável, trazida pela morte e a deliberada realizada pela escolha de seguir a vida de outro modo. Todas as duas nos deparam com o fato de que pessoas não farão mais parte da nossa vida. Ambas nos levam a vivenciar lutos, distintos é verdade, mas doloridos de todo modo.

Qual seria a mais fácil? Uma vez ouvi alguém dizendo após se separar: “gostaria que  ele tivesse morrido!”.  Fiquei perplexa, mas agora resgato essa frase buscando compreendê-la. A separação causada pela morte, congela a pessoa no tempo. Nada mais existirá a partir dali. É ponto final. A separação feita pela escolha nos obriga a aprender a lidar com a continuidade de vidas separadas, que não se refazem ao mesmo tempo e da mesma forma, o que nos leva a comparações. Quem está melhor? Quem está mais feliz? Contudo, quando isso existe é porque a separação  não se concretizou de verdade. Sabemos que estamos definitivamente separados quando nada disso mais importa. Quando a vida de ambos passa a ter uma autonomia, uma liberdade que justifica todo o esforço despendido na separação.

A separação, seja qual for, sempre nos confronta com o fato de que, para conseguir vivenciá-la plenamente, precisamos buscar estar fortes, bem resolvidos, porque ela nos afronta com a realidade de que, ao fim e ao cabo, somos sozinhos. Não falo da solidão de alguém que se isola do mundo, que não tem amigos, falo daquela mais profunda, atávica, que mostra que tem coisas na vida que só nós podemos dar conta. Nesses momentos temos que estabelecer um diálogo interno onde muitas coisas são reviradas. Nesse processo aprendemos muito sobre nós mesmos. Acontece que para isso é preciso ter coragem porque não é uma viagem fácil. Nisso as separações servem como verdadeiras escolas, elas nos permitem ver a necessidade do reencontro com quem mais importa, promovendo uma reaproximação com alguém que, sem nos darmos conta, nos deixamos separar: nós mesmos!

 ·         De uma certa forma, ainda falo da Arte do Encontro!

 



Escrito por Deccache às 13h22
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