ESPAÇO CATÁRTICO por Eline Deccache Maia


NUNCA COMO ANTES

 

Começa o ano e já na metade do primeiro mês vamos esquecendo  o clima das festas de fim de ano. O esquecimento não é de vez. Até o final de janeiro ainda encontraremos pessoas retardatárias que nos desejarão um feliz Ano Novo.

A vida vai tomando seu rumo e as férias, para muitos, vão terminando. A rotina vai, aos poucos,  se instaurando e quando menos percebemos estamos completamente envolvidos por ela. O ritmo vai se acelerando lentamente. O ano de fato segue um ciclo.  Nos seis primeiros meses estamos com todo o gás, afinal as festas nos revigoraram, assim como as férias para muitos. Nos últimos seis meses, sentimos que as baterias vão aos poucos descarregando e já lá para o final estamos nos arrastando, loucos para que chegue logo O Natal, Ano Novo e férias para recarregarmos as forças e dar início a novo ciclo.

No entanto, mesmo retornando nossas atividades e tendo a sensação de já ter visto esse filme, nunca somos as mesmas pessoas. Ah, o velho Heráclito de Éfeso estava coberto de razão ao dizer que ninguém pode mergulhar no mesmo rio duas vezes, porque ambos, rio e  pessoa, modificam-se constantemente.  Não somos mais do que um vir a ser... Por isso, mesmo entrando na rotina novamente, nada será como antes, embora tudo conspire para  que acreditemos que seja. É confortante essa sensação de estabilidade que a rotina nos dá: encontraremos nossas vidas do mesmo jeito.  Uma ilusão necessária, embora  falsa, não somos os mesmos nem do lado de dentro nem do lado de fora, sendo a melhor mudança   a que se processa internamente.

Mesmo que externamente a vida pareça igual, não a vivemos como antes. Nossos olhares vão se modificando, mas até mesmo essa transformação vai se dando com sutilezas para que nossos olhos e corações acostumem-se com as mesmas e não sofram vertigens. As mudanças bruscas, sendo boas ou ruins, sempre nos causam sentimentos ambíguos.

Ouço muito pessoas dizendo: "viu como fulano mudou da água para o vinho?" ou "não reconheço mais ciclano, ele não é mais o mesmo!" O que as pessoas desconhecem, de um modo geral, é que nada é como antes. As mudanças se processam a cada segundo de nossa existência, é o acúmulo delas ao longo do tempo que vai permitindo a sua exteriorização, tornando visível um processo contínuo. Essa dinâmica  é muito interessante, mostra que estamos aprendendo sempre, mesmo sem o saber.  Talvez aproveitássemos mais tendo consciência desta dinâmica e potencializando-a. Mesmo assim, ela está lá!



Escrito por Deccache às 11h49
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